18 de Maio: Dia da Luta Antimanicomial. Saiba mais!

Na história da loucura, por muitos séculos, a medida de tratamento foi a internação, que se apresentava enclausuramento e tratamentos morais ou sobre o corpo, como castigos. Na medida em que a medicina avança sobre o conhecimento dos transtornos mentais, a psiquiatria desenvolve outras possibilidades, como os tratamentos medicamentoso, intervenções cirúrgicas e eletroconvulsoterapia. Outras terapias, como psicoterapia, laborterapia foram sendo consideradas também. Mesmo assim, continuava-se isolando os sujeitos considerados “loucos” da vida em sociedade, a ponto de mantê-los pelo resto da vida institucionalizados. Vários estudos passaram a criticar esse modelo de atendimento, muito mais patologizante que com efeitos de promoção de saúde e qualidade de vida. Assim, a reforma psiquiátrica, em vários países, passou a indicar novas formas de tratamento, dentre elas a derrubada dos muros que mantinham aquela população isolada, a presença de atividades que permitissem viver mais dignamente, como a arte, o lazer, os trabalhos em grupo, a convivência com a comunidade e o tratamento em liberdade. No fim da década de 70, muitos movimentos ligados à saúde denunciaram abusos cometidos em instituições psiquiátricas, além da precarização das condições de trabalho. O Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), com a participação popular, inclusive de familiares de pacientes – e o Movimento Sanitário endossaram a defesa aos direitos humanos e busca da cidadania de pessoas em sofrimento psíquico. Em 18 de Maio em 1987, em um encontro de grupos favoráveis a políticas antimanicomiais, surgiu a proposta de reforma do sistema psiquiátrico brasileiro. A partir de então, a data de 18 de maio tornou-se o dia de Luta Antimanicomial, que se caracteriza como um processo histórico contra as práticas institucionais que violentavam e excluíam socialmente as pessoas com sofrimento psíquico. O movimento da luta antimanicomial defende a substituição dos modelos assistenciais anteriores pelos dispositivos de atenção à saúde que permitam a convivência em sociedade, o tratamento junto a grupos e instituições que preservem suas capacidades e dignidade.   Como referência em desenvolvimento de propostas mais humanizadas de atenção em saúde mental, um dos nomes brasileiros que se destaca é da psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999), uma das primeiras mulheres a se graduar em Medicina no Brasil. Ao trabalhar no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, mostrou-se contrária aos tratamentos convencionais adotados pela instituição. E mantendo correspondência com o psicanalista Gustav Jung, revolucionou o tratamento clinico de pacientes ao criar um ateliê de pinturas e modelagens. O filme Nise: o coração a loucura (2016) retrata os modos de atendimento psiquiátrico na década de 1950 e a proposta inovadora de tratamento por meio da arte. Entre seus feitos, a psiquiatra fundou no Rio de Janeiro, em 1952, o Museu do Inconsciente para abrigar o acervo de seus pacientes. E em 1956, a Casa das Palmeiras, um centro de reabilitação para pacientes egressos de hospitais psiquiátricos   Para saber mais sobre o movimento de 18 de maio e os eventos do mês destinado à Psicologia, acesse: https://crppr.org.br/18m2022      
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